Capital Social e a Pirâmide
06/10/2009
O advogado na ONU x Professor de escola pública
O que adianta representar uma sociedade sem representatividade?
O que adianta ensinar em uma sociedade sem estrutura de ensino?
Lembro que no terceiro ano do segundo grau eu estava me convencendo do papel de cooperativas e da organização (de maneira ampla) como “uma solução”. Ai tava conversando com um cara que queria fazer direito ou REL, sobre melhorar o mundo. O cara me vem com o papo que quer trabalhar na ONU, e que lá ele vai ter poder pra melhorar as coisas que quiser. E eu, pra variar, fiquei falando que não vai mudar porra nenhuma enquanto a mudança de percepção não vier da base, das pessoas se organizando. Eu ainda fico me perguntando o que fazer. E o que esse cara ta fazendo.
E a pirâmide social e o desenvolvimento de “capital social”?
O mais importante me parece ser que a centralização política castra esse tal ‘capital social’. As articulações espontâneas ficam mais distantes, mais difíceis, aparentemente menos importantes. A visão do todo fica mais nebulosa. A legitimidade, por ficar tão mais distante, talvez até pareça perder a importância. Gostaria de partir da descentralização, da confiança de que as pessoas conhecem seus problemas, que podem resolver seus problemas.
De uma visão mais ampla do mundo, das possibilidades. Encurtar o caminho vertical da pirâmide. Um federalismo bem feito já parece um belo começo. Mais autonomia aos municípios. Deixa eu poder quebrar a janela de quem manda em mim =)
É possível tanto pensar em “dar uma força” pra base, quanto em evitar que o topo castre a base – ações bem diferentes. A base não tem acesso às instituições em sociedades perversas. Então taí um papel para quem ta no topo, é bem intencionado e tem estômago – facilitar o acesso. Ao invés de melhorar as coisas de cima pra baixo, fazer justamente o contrário, evitar que essa relação ocorra, para permitir que o de baixo pra cima ocorra.
Em um estado precário como o nosso, o ‘deixar fazerem’ vale mais do que um ‘fazer’ individual. Existe muita gente que poderia e gostaria de fazer mais se houvesse maior incentivo, menor castração, menor pseudo-delegação de responsabilidades. Tirar papéis em que o Estado é contra-produtivo não necessariamente quer dizer que coisas vão deixar de ser feitas, pode simplesmente dar lugar pra que pessoas as façam, talvez de maneira mais legítima e espontânea. Talvez não. É bom cogitar as opções.
PS.:
E os capitalistas malvados? Pois é, quem precisa deles? Quem regula eles?
E quem regula os burocratas malvados? Pois é, quem precisa deles? Quem regula eles?
Quando não há legitimidade fica fácil da esquerda e da direita se encontrarem.
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Tags:capital social, pirâmide




