Experiência, Intuição, Linguagem
22/10/2009
Eu não sei porque eu exponho esse tipo de pensamento megalomaníaco..
Padrões e Comparações
Os sentidos são os filtros de informações, dados a priori. Inicialmente são sobre informações químicas e físicas, ondas e matéria. Os sentidos parecem ser viesados pela percepção inicial de um “eu”, que me parece ser delimitado inicialmente pela dor (tato, fome), um sentido interno. Acho que isso não importa tanto agora.
O que fazemos com essas categorias de informação? Fazemos uso delas (não me pergunte pra que ou porque). Para ter algum uso, as informações devem ser separadas, clarificadas. Depois conectadas entre si. A natureza dá a primeira sugestão de categorização, dado pela própria diferença entre os sentidos.
Somos maquininhas de detectar padrões. Somos sensíveis a frequências, ao uso da estatística, da memória. Tem coisas “que ficam”. Acho que aí começam as teias. Nós temos múltiplas sensibilizações simultâneas que ao longo do tempo devem formar padrões mais complexos de sensibilização conforme vamos ficando mais ‘sensibilizáveis’, desenvolvemos melhor nossa memória (sensibilização de longo prazo?).
Mas como definir um padrão? Como isolá-lo do resto das informações que formam outros possíveis padrões? Psicodélico. Acho que o padrão é aquilo que ‘salta’, que deixa marca na memória. A princípio não me parece ser voluntário, talvez seja algo bem químico mesmo, apertar os mesmos botões várias vezes deixa eles mais sensíveis, inclusive entre eles. Será que é só questão de estar suficientemente sensibilizado para que se possa identificar e definir algo?
Provavelmente há uma hora que passamos a aplicar a noção de verdadeiro e falso, ou seja, temos capacidade de analisar se um novo conjunto de informações corresponde ou não a outros padrões relacionados memorizados. A consciência (!) de algum padrão definido que será usado para podemos comparar, e porque não, julgar.
Criamos “ícones” para determinadas ‘frequências’ mais comuns e utilizadas que nos permitem identificar com alguma precisão relações de verdadeiro/falso. Isso implica construir ícones para relações entre variáveis. Vou chamar de ‘variável’ uma característica percebida como básica ou primeira que define ou determina um padrão.
As relações das ligações entre diferentes tipos de sensibilizações são o princípio do que vou chamar de significado. A identificação (definição) e relações “possivelmente verdadeiras” entre padrões seria um princípio da teia de significados.
Padrão é uma noção por definição imprecisa, confiamos na estatística. Enquanto não estamos “suficientemente” sensibilizados com algum padrão a ponto de fazer ligações ‘confiáveis’ para serem usadas, o que sobra? Intuição? Ela não é usada no fim das contas? Independente da coerência. Há algum sentido além da forma, é o que escapa, mas está lá.
Os ícones e seus significados (ligações possivelmente úteis) são uma forma mais prática de fazer saltar essas inter-relações, de até onde elas são “verdadeiras ou falsas”. Os ícones são o acesso ao resultado presente do processo de destilação de variáveis e suas relações.
As atribuições de cada ícone são flexíveis, depende da relação com outros ícones e da experiência própria. Também existem padrões não identificados por nenhum ícone, porém eles não deixam de ser possibilidades de significados. Pode demorar pra que um significado seja considerado “verdadeiro”, e nem por isso deixamos de considerar para nossas decisões o que relações “não verdadeiras” podem dizer, intuições.
Aprendizagem
O processo de aprendizagem é um processo que envolve destilar as definições das variáveis com base nas ligações e relações entre elas na teia. A noção de verdadeiro e falso, repetidamente, constrói isso. Aprender é comparar o conteúdo experimentado ou decorado com sua teia privada de significados. É resignificar a teia. Decorar é absorver uma relação pontual, específica de causalidade. Aprender é relacionar com o resto, é ir além do que é dito, é ouvir o eco interior.
Aprender é pensar sobre relações. É sentir relações. Será que pensar não é só um termo para sentir algo muito complexo e impreciso, que depende de uma estrutura, da teia? O pensamento como falante e ouvinte ao mesmo tempo. É mais fácil ficar em silêncio para pensar, pra sentir o que temos a dizer. A gente estimula os ecos, as memórias, as relações, os sentimentos, e ao mesmo tempo os compara, resignifica tudo. Aprender é uma atividade criativa, é tentativa e erro, é resultado da indagação. O que a gente escolhe é o modo de organização dos ícones, as relações que podemos aceitar como verdadeiras ou não. Será que escolhe?
O que é uma idéia? Pode ser a percepção de um novo arranjo de significados, a descoberta de possíveis novas relações entre variáveis.
Compartilhando
Enquanto não aprendemos a técnica de compartilhar pensamentos, não fazemos uso de ícones construídos socialmente (palavras). O grande salto acontece quando passamos a ter acesso a outras mentes, a outras experiências e impressões, à construção social dos significados.
A linguagem pública é uma ferramenta útil para compartilhar e esclarecer possibilidades de definições e inter-relações de variáveis. Na parte estatística, é também como se tivéssemos acesso às médias, uma bela base de comparação pras nossas próprias impressões sobre nossas experiências e das dos outros. Significados públicos são consensos sobre as relações entre variáveis, definições de variáveis segundo suas relações.
Significados dados publicamente dão maior clareza e objetividade para compartilhar experiências. É uma técnica de pensamento, eficiente, pensar em variáveis socialmente definidas. “Sair” da incerteza dos nossos conceitos privados, do isolamento. Uma criança que não fala está isolada de outras mentes.
Isso não quer dizer que não produzimos significado independentemente da linguagem pública , eles só seriam mais imprecisos, particulares. Inexplicáveis, assim como vários sentimentos são, porque as pessoas não são tão boas para trocar sentimentos, que dependem tanto de experiências muitas vezes tão particulares. Que bobagem achar que não há nada válido pelo simples fato de não conseguirmos compartilhar.
O consenso sobre significado permite a sintonia de pensamentos, conexão. Nós os usamos porque são mais precisos, são significados aceitos socialmente, são construções de variáveis com base nas experiências de várias pessoas, não só de uma mente isolada. A linguagem pública é o que há de consenso sobre significados particulares.
Uma experiência pode fazer com que um uso social seja considerado “falso”, não seja absorvido. Não cria sentido (interno). Absorvemos só o que nos interessa. Usamos só do jeito que nos faz sentido interno.
Em um nível mais complexo de pensamento, que envolve muitas inter-relações, usamos ícones, é uma técnica, como uma máquina. Mas todo instrumento, em algum ponto, foi construído por mãos, imprecisas. Acho que a linguagem é uma técnica avançada. Tem pensamentos complexos que só conseguimos alcançar com linguagem. Mas eles foram em algum momento construídos sobre sentidos, intuições, pensamentos em formação.




