Exemplo e Possibilidade
31/08/2009
Compartilhar um exemplo
Se expor, se propor a mostrar uma possibilidade
O compartilhamento de informação
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Informação para reavaliar a “normalidade”
Para conhecer o alcance das possibilidades
Facilitar a saida da inércia do normal.
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Exemplos sinceros
Exemplos esforçados
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Mostram possibilidades de diferença
para a criaçao de espontaneidade
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O peso do exemplo
Base para a criação de valores
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A leveza do exemplo
Uma possibilidade
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Políticas mobilizam massas
homogenizam o heterogêneo
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Exemplos permitem que indivíduos se formem/mudem
produção individual de verdade, abre possibilidade para o heterogêneo
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Assumir a responsabilidade do alcance do exemplo
Uma História Íntima da Humanidade
27/08/2009
A intimidade é um conceito que tem me interessado ultimamente. Ela define o grau de conexão entre humanos, entre mentes, entre idéias e seus significados.
Intimidade já remete a algo que está sendo guardado, algo particular. Por que guardamos nossas idéias, sentimentos, opiniões? Desconfiança e desconhecimento.. parece que há uma inércia da desconexão. A final de contas, exige algum esforço.
“Uma história Íntima da Humanidade” – de Theodore Zeldin, um coroa inglês simpático, filósofo, sociólogo, historiador – é um livro muito bacana que trata disso. Amplo e raso, do jeito que eu gosto – porque o “resto” cada um constrói. O livro não tenta passar uma idéia central, não é um texto de história, nem de auto-ajuda, mas bem que é um pouco dos dois.
Os títulos dos capítulos já parecem ser bem interessantes: “Como homens e mulheres aprenderam a ter conversas interessantes”, “Como o respeito se tornou mais desejável que o poder”, “Como os seres humanos se tornaram hospitaleiros” são alguns. Cada um traz um pequeno resumo histórico/cultural sobre algum conceito ou tipo de experiência humana junto com a história de uma das várias pessoas de diversas partes do mundo que o autor entrevistou em suas “intimidades”.
São mostrados problemas questões cotidianos de pessoas normais, que refletem alguma questão existencial, alguma busca por sentido ou visão da vida. Essas situações pessoais são compartilhadas como ilustração para alguma questão. Por exemplo, as diferentes maneiras que as pessoas procuram resolver seus problemas: fugindo, encarando-os de frente, tentando tolerar, trocando de medo. A solidão, a curiosidade, a criatividade.
Depois de várias estórias e histórias, de pincelar e tecer vários conceitos de maneira despretensiosa, fica um sentimento no final. Ele não passa uma idéia específica. Na verdade passa tantas que você acaba “sentindo” um significado. Eu atualmente estou muito a favor de pensarmos de maneira mais intuitiva, que a intuição tem algo a nos dizer, principalmente sobre experiências humanas e os significados que nós estamos constantemente construindo, que são sempre imprecisos.
É uma coisa muito legal se identificar com essas pessoas. Acho muito legal o sentimento de “se identificar”, se sentir menos sozinho, menos mal entendido. E na verdade, no fim das contas, você vê que se identifica com várias coisas de várias pessoas do livro, que só não sentimos essa conexão com as pessoas no dia-a-dia porque não temos acesso às intimidades alheias. Por que não?
Fico me indagando todos os papéis que uma simples conversa não pode ter. Você dá e recebe visões de possibilidades, de posturas, de exemplos. Se conecta. Nossa capacidade e disposição de nos comunicarmos é uma técnica, uma ferramenta pra expandirmos nossa visão do mundo, expandir nossa visão sobre as pessoas e sobre nós mesmos. Isso me parece muito poderoso.
É incrível como só de saber de alguma história da vida de uma pessoa já nos sentimos mais próximos. Muitas vezes não temos muita oportunidade ou interesse desse tipo de troca. Isso deixa as pessoas mais distantes, menos receptivas, menos inteligentes. A sabedoria, o entendimento que se adquire tentando entender problemas cotidianos, causas, conseqüências, motivações, faz com que possamos aceitar, respeitar mais. É um exercício diário – como pensar.
O distanciamento, a alienação “involuntária”, é algo muito importante a ser superado. Adoro os argumentos sociais que vão além do clichezão da igualdade, liberdade, blabla. Existem coisas anteriores a isso, algo que leva naturalmente aos outros conceitos “mais agregados”. Argumentos que se baseiam em conceitos mais interessantes, como criatividade e intimidade, na diferença, estão me parecendo mais interessantes do que outros que muitas vezes são, no fim das contas, preocupações muito materiais.
O acesso à intimidade é o acesso ao sincero. Como diria outro sábio citado um dia pelo Antonio Abujamra: se todos expusessem seus desejos e pensamentos mais íntimos, sairíamos todos gritando horrorizados pelas ruas – não me lembro exatamente da frase. Que bom seria, nos sentiríamos mais normais e também mais seguros de nossa anormalidade. Mais sensíveis também.
Eu gosto da idéia de me interessar e entender pessoas. Nunca fui muito bom de guardar intimidades, fica mais fácil de trocar assim.
“Explorar o mistério dos pensamentos e sentimentos de outras pessoas é a nova indagação espiritual. Buscar empatia é a nova recompensa da intimidade.” – Theodore Bróder




