Tudo começou =P quando eu tava tendo uma daquelas conversas sobre porque não to comendo carne, repensando e rejustificando a minha postura.

Parece que no final elas caem em argumentos mais do tipo, “isso é o certo”, ou algo mais emotivo como “não precisa justificar, sinto que é assim”. Claro que existem muitos outros motivos, esotéricos, saudáveis, anti-industriais, blabla, mas comecei a tentar fazer uma justificativa mais abrangente pra outras posturas também “estranhas”. Vou falar sobre uma possibilidade de postura e dar um nome talvez inusitado pra isso, talvez não.

Temos capacidades sensoriais, cognitivas, técnicas, impressionantes. Somos poderosos. Porque não usarmos elas ao máximo?

O puro individualismo me parece ser algo muito simples, linear. Pensar em outros níveis, em outras mentes, outros agregados, outros níveis, exige muito mais, exige algum esforço, alguma reflexão. Fazer as coisas funcionarem em um nível de organização maior, não só individual. No final, é opcional adicional, é um requinte. Vou chamar isso de elegância, não se referindo a status ou ostentação, mas a uma certa estética adicional opcional para as idéias.

Usar nossas capacidades plenamente, fazer o que não é fácil. Fazer o que eu acho melhor,  só por que posso, só pela aventura, pela brincadeira. Afinal de contas, fazer coisas “bem” não é fácil, mas também não precisa ser um fardo, pode ser uma brincadeira, e a gente brinca quando pode.

Qualquer manifestação de preocupação por “buscar o melhor”, no sentido “do que mais satisfaça meus desejos/princípios etc. Há um esforço, que pode não ser penoso, mas até prazeroso, pois vai gerar algo “melhor”.

Temos uma capacidade impressionante de fazer “melhor” do que se não nos esforçarmos para entender as coisas de maneira mais “completa”. Dar importância e projetar coisas dessa maneira é uma questão de elegância.

A elegância pode ser diferente em cada lugar, cada cultura. Mas fica como uma “estética de idéias”, algum padrão, alguma consciência, talvez mais, refletida, sentida. Não há estética se há descaso – no sentido de se ignorar.

Algo que se sabe que forma algo mais macro, não somente individual – uma “harmonia”

Cumprimentar, fazer fila, não comer bicho, esses tipos de cuidados, são opcionais. Opções elegantes. São, no máximo, elegantes, que é um pouco melhor do que o descaso.

É algo a se produzir – não implica perder a vida ou a vivacidade, é ganhar uma esfera, uma consciência. Incrível essa tal de estética.

Na 2° série, com uns 8 anos, eu comecei a ter aula de inglês na escola. Eu não entendia porra nenhuma e não via utilidade nenhuma naquilo. He, she, stand up, sit down. Eu ficava pensando, “quem é quem nesse Ri e Xi? Porque eu tenho que levantar e sentar quando aquela mulher balbucia umas palavras incompreensíveis? O que eu tenho a ver com essa pronuncia exótica de ‘pink’?”

Resolvi fazer um abaixo assinado pra tirarem a professora e a aula de inglês. E fiz mesmo, fiquei catando assinaturas de várias salas durante um tempo. Quando tava terminando, chegou a coordenadora na aula de inglês e falou que as coisas iam continuar daquele jeito mesmo. E eu continuei sem entender nada das aulas de inglês e completamente desinteressado até ter que usar ele de verdade quando viajei pra Austrália.

- O que eu aprendi: É melhor primeiro conversar, negociar, pra ver até onde “se pode ir”.

Na 7° série me arrisquei a ser representante de turma. Pensei e apresentei um monte de propostas revolucionárias, e, por incrível que pareça, fui eleito, junto com um amiguinho mais popular, hehe. Queria fazer uns questionários pros alunos avaliarem as aulas, tipo esses que tem na unb no final dos semestres. No final não pude fazer nada, nunca me chamaram pra nada e fiquei com vergonha de ter que continuar sendo representante.

- O que aprendi: Não pode. Tem que ser aprovado pela coordenação, avaliações autônomas extra-oficiais não são consideradas. Seria ruim para a imagem dos professores.

Quando eu tinha uns 12 anos eu era escoteiro (mais precisamente um lobinho experiênte =P). Entrou uma mãe de umas meninas como assistente da “chefe”, que depois de um tempo começou a fazer um tratamento desigual entre quem ela gostava (inclusive suas filhas) e quem era dos outros grupos (inclusive eu). Fiz uma “caixinha de sugestões e reclamações” pra juntar as idéias e ver o que o pessoal tava achando e apresentar pra chefe. Pra ser sincero não lembro como o plano foi desarticulado, lembro que deu um quebra pau e teve um pessoal (inclusive eu) que saiu do escoteiro.

- O que aprendi: Poucas pessoas conseguem avacalhar uma coisa potencialmente legal; As estruturas podem ser muito mais fortes do que vontades de muitas pessoas, e elas cedem a isso.

Depois de tretas menores e desarticulação social de vir pra Brasília, resolvi entrar na Econsult (empresa júnior da economia) quando era calouro. Me botaram inicialmente no RH. Legal, um monte de gente bem intencionada pra cuidar de uma empresa que não tem projetos. Depois fui pra área de projetos. Não tinha projeto, então fui fazer a “metodologia” das análises. Hoje acho que só me sentiria capaz de fazer alguma realmente massa pela empresa júnior depois de formado, ou nos últimos semestres. Tem que ter uma visão mais ampla.

- O que aprendi: Não tem nada pra fazer? Cria burocracia pra manter um sistema “funcionando”. Pelo menos o pessoal do RH e do cafezinho vãi fazer alguma coisa, o resto fica de fachada. Pra alguma coisa funcionar ela tem que ter objetivos claros e funcionais, não basta criar uma estrutura e esperar que ela se desenvolva por conta própria.PS.: Pelo menos da pra conhecer pessoas nesses lugares =)

Minhas experiência de estágios no governo foram no Ibama e no Ipea

- O que aprendi: O serviço público é igual eu imaginava. Qualquer um se sente desestimulado, ele é cultivado pra isso, pra impedir que pessoas criem algo melhor e façam bom uso do governo, assim todo mundo pode ‘desfrutar’. Pra quem taí, ia ser legal se conseguisse fazer alguma coisa melhorar de dentro. Se não der, acredite que pode existir algo melhor pra se ganhar menos dinheiro – fora da aristocracia.

Talvez por tudo isso hoje em dia eu tenda mais pra ser um reformista do que um revolucionário. Organizar pessoas é uma tarefa muito difícil e desgastante. É mais fácil pagar mercenários.

enquanto se puder comprar o trabalho de desesperados
enquanto se comprar consciencia tranquila com caridades
enquanto se puder comprar o silencio de cumplices
enquanto se puder comprar a obediência de soldados
enquanto se puder comprar a acomodação de funcionários publicos
enquanto se puder comprar concentração de poder com a satisfação de consumidores satisfeitos
.
as decisões continuarão nas mão de quem conseguiu concentrar o poder de compra,
de quem competiu para isso, de quem fez disso um objetivo de vida
.
pra que produzir posturas, julgamentos, indivíduos?
pra que se produzir o que se acha mais certo? (não o certo, mas o que parece ser mais certo)
.
as responsabilidades são criadas no momento em que uma irresponsabilidade é feita
pode ser muito difícil perceber uma nova irresponsabilidade
pode ser difícil de julgá-la
mas a responsabilidade potencial é criada
quem vai? quem vai?
.
governos e escolas incentivam que pessoas desenvolvam julgamentos e responsabilidades?
ou preferem se apropriar, concentrá-las?
pois eles sabem melhor o que fazer com elas.
.
Dar a cara a tapa
.
a ciência não tem muito o que falar sobre isso
os técnicos não tem muito a falar sobre isso
será que é bom darmos ouvidos a quem não tem nada pra falar?
e ouvir o ruído de fundo dos telejornais
.
porque tanto medo de afirmar aquilo que se acredita ser certo ou errado?
é por uma questão de respeito e responsabilidade?
quando isso passa a ser uma irresponsabilidade?
.
enquanto não dermos a cara a tapa
enquanto não dermos qualquer possibilidade de exemplo (do que parece ser mais certo)
enquanto não admitirmos posturas
enquanto deixarmos responsabilidades vagas
será tudo levado pela correnteza
eu não quero me responsabilizar por ela.
.
E o que eu faço? Primeiro eu penso sobre isso…
Algum dia algo pode brotar
Parece ser uma boa ser professorenquanto se puder comprar o trabalho de desesperados
enquanto se comprar consciencia tranquila com caridades
enquanto se puder comprar o silencio de cumplices
enquanto se puder comprar a obediência de soldados
enquanto se puder comprar a acomodação de funcionários publicos
enquanto se puder comprar concentração de poder com a satisfação de consumidores satisfeitos
.
as decisões continuarão nas mão de quem conseguiu concentrar o poder de compra,
de quem competiu para isso, de quem fez disso um objetivo de vida
.
pra que produzir posturas, julgamentos, indivíduos?
pra que se produzir o que se acha mais certo? (não o certo, mas o que parece ser mais certo)
.
as responsabilidades são criadas no momento em que uma irresponsabilidade é feita
pode ser muito difícil perceber uma nova irresponsabilidade
pode ser difícil de julgá-la
mas a responsabilidade potencial é criada
quem vai? quem vai?
.
governos e escolas incentivam que pessoas desenvolvam julgamentos e responsabilidades?
ou preferem se apropriar, concentrá-las?
pois eles sabem melhor o que fazer com elas.
.
Dar a cara a tapa
.
a ciência não tem muito o que falar sobre isso
os técnicos não tem muito a falar sobre isso
será que é bom darmos ouvidos a quem não tem nada pra falar?
e ouvir o ruído de fundo dos telejornais
.
porque tanto medo de afirmar aquilo que se acredita ser certo ou errado?
é por uma questão de respeito e responsabilidade?
quando isso passa a ser uma irresponsabilidade?
.
enquanto não dermos a cara a tapa
enquanto não dermos qualquer possibilidade de exemplo (do que parece ser mais certo)
enquanto não admitirmos posturas
enquanto deixarmos responsabilidades vagas
será tudo levado pela correnteza
eu não quero me responsabilizar por ela.
.
E o que eu faço? Primeiro eu penso sobre isso…
Algum dia algo pode brotar
Parece ser uma boa ser professor
pra que produzir posturas, julgamentos, indivíduos?
pra que se produzir o que se acha mais certo? (não o certo, mas o que parece ser mais certo)
.
governos e escolas incentivam que pessoas desenvolvam julgamentos e responsabilidades?
ou preferem se apropriar, concentrá-las?
pois eles sabem melhor o que fazer com elas.
.
são os profissionais e anciãos que podem produzir a verdade?
porque tanto medo de se produzir e afirmar aquilo que se acredita ser certo ou errado?
por uma questão de respeito e responsabilidade?
.
quando isso passa a ser uma irresponsabilidade?
.
a ciência não tem muito o que falar sobre julgamentos
os técnicos não tem muito a falar sobre isso
será que é bom darmos ouvidos a quem não tem nada pra falar?
e ouvir o ruído de fundo dos jornais, das ciências
.
as responsabilidades são criadas no momento em que surge uma irresponsabilidade
pode ser muito difícil perceber uma nova irresponsabilidade
pode ser difícil de julgá-la para outra pessoa
mas a responsabilidade potencial é criada
se alguém passou a fazer algo que se considere uma irresponsabilidade social, alguém precisa absorver essa nova responsabilidade
quem vai? quem vai?
.
enquanto não dermos a cara a tapa
enquanto não dermos qualquer possibilidade para o exemplo (do que parece ser mais certo)
enquanto não assumirmos e assinarmos a imprecisão dos nossos julgamentos
enquanto deixarmos responsabilidades vagas
será tudo levado pela correnteza
eu não quero me responsabilizar por ela.
.
E o que eu faço? Primeiro vou pensar sobre isso…
Algum dia algo pode brotar

Compartilhar um exemplo

Se expor, se propor a mostrar uma possibilidade

O compartilhamento de informação

.

Informação para reavaliar a “normalidade”

Para conhecer o alcance das possibilidades

Facilitar a saida da inércia do normal.

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Exemplos sinceros

Exemplos esforçados

.

Mostram possibilidades de diferença

para a criaçao de espontaneidade

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O peso do exemplo

Base para a criação de valores

.

A leveza do exemplo

Uma possibilidade

.

Políticas mobilizam massas

homogenizam o heterogêneo

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Exemplos permitem que indivíduos se formem/mudem

produção individual de verdade, abre possibilidade para o heterogêneo

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Assumir a responsabilidade do alcance do exemplo

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