Passo a passo de um possível genocídio
14/10/2011
Elas são baratas pequenas, parecem baratinhas do mar. Elas ficam atrás das prateleiras perto da pia.
Antes eu via uma e a evitava. Depois de pouco tempo depois de ver outra, resolvi matar.
Só com sorte eu conseguiria matar todas, e só se fossem poucas.
Passei a tentar conviver depois que cheguei à conclusão que não ia conseguir me livrar delas. Estava até criando um carinho, quase como bichos de estimação, que escolheram morar na minha casa.
Até que elas começaram a ficar muito espaçosas, se dando ao luxo de saírem despreocupadas caminhando entre potes da prateleira. Tava ficando desagradável.
Resolvi partir pra guerra química e comprar um spray inseticida. Um spray no cantinho delas, algumas dão até saltos de susto. E saem doidas por ai, perdidas, até secarem.
Comecei a observar as remanescentes. Elas estão tão perdidas quanto as que estavam intoxicadas. Tão perdidas quanto a gente. E nessa hora me senti identificado com elas.
Mesmo assim eu tinha que manter a ordem. Senão elas me tomam todo o apartamento, e vou ter que começar a andar de galocha*, como foi o caso do menino que cultivava bolas de pêlo. Optei pelo controle populacional via genocídios ocasionais, amarga decisão.
Um dia elas ofereceram uma delas em sacrifício ao deus furioso. Do nada uma barata apareceu flutuando em algum tipo de teia de aranha, numa pose bem dramática – não existia nenhuma aranha por perto. Só podia ser uma oferenda – elas devem estar desenvolvendo um sistema religioso para lidar com seu inconveniente destino.
Folk Psicodélico
17/09/2011
Deu vontade de falar sobre algumas bandas do genero, ou combinação de generos, que mais me agrada atualmente em vários sentidos. Vou arriscar sintetizar tudo nesse termo, folk psicodélico, ou porque não, atualmente, musica bucólica pós-moderna =P.
O folk psicodélico é uma música geralmente acústica e orgânica, com um toque fatalmente bucólico. É uma música de uma cultura bem hiponga, embora não seja só feita por hippies.
A parte do “acústico” fica principalmente com os violões, acompanhados possivelmente também por outras cordas, sopros, percussão.
A parte do orgânico fica com a não-afobação, conforto e suavidade.
As músicas não precisam ter pressa nem estrutura muito rígida. O “psicodélico”, que talvez eu tenha que me arriscar a botar um toque de /progressivo, deixa as portas abertas pra experimentalismo e sinceridades.
Existem os folks mais “diretos”, com apenas voz e violão, e existem outros com várias camadas e interações entre intrumentos.
Esse gênero apareceu mais nos finais dos anos 60 e começo dos 70 (que época maravilhosa) e tá passando por uma nova onda atualmente, em que aparecem novos nomes de sub-gêneros derivados.
Pra começar a citar nomes das antigas, já vou incluir logo o Nick Drake. O cara é o mestre. De uma sensibilidade, criatividades e suavidade, incríveis. É desses que morreram com 27 anos. E não era hippie.
O Simon & Garfunkel são caras do folk que eu incluiria no toque “folk psicodélico” mais bem comportado. O Led Zeppelin é outra banda que tem umas músicas que certamente tem essa pegada, como The battle of evermore, That’s the way, Going to California. Jethro Tull também tem várias músicas que se encaixam ai.
Das bandas bem hippies americanas, que cantam sobre a natureza e coisas lúdicas da vida, tem a Incredible Strigs Band e uma mina fantástica que descobri a pouco tempo, a Linda Perhacs. Na Alemanha existiu um gênero parecido chamado Krautrock, bem psicodélico, com influência de mantras indianos. Duas bandas interessantes são Popol Vuh e Amon Duul II.
No Brasil ia ter um pessoal que ia correr o risco de ser incluído próximo desse gênero, tipo o Almir Sater, e as antigas do Alceu Valença e Geraldo Azevedo, que viajavam a valer por essas épocas.
Atualmente a internet permitiu que o pessoal que virou hiper-minoria desde o começo do fim do mundo nos anos 80 pudesse voltar a ser escutado, voltando a se mostrar com alguma unidade. O folk psicodélico do século XXI dos EUA foi apelidado de “New Weird America”, os novos hippies-nerds de lá.
Dos americanos, vou botar no mesmo saco genérico, porém bem diferente, a Kaki King, que talvez seja das melhores e mais criativas musicistas em atividade; o Devendra Banhart, que tem algumas coisas irritantes e outras muito boas; o Six Organs of Admittance, que as vezes pega pesado no experimentalismo mais instrumental, mas é massa; e o Iron & Wine, que tem uma pegada mais “clássica” de folk.
Outro que tá fazendo sucesso pela suavidade e agradabilidade é o José Gonzalez, muito bom, da Suécia, que nunca falha. Uma banda que tive o prazer de conhecer numa apresentação em Buenos Aires foi a Lulacruza (Argentina/México), bem orgânico e encantador, que também leva o tag de “xamânica”.
No Brasil eu sei que devem ter outras bandas, mas folk, sem o rock, eu realmente sou um leigo. O Psicodália é um festival muito bacana de música/arte em Santa Catarina em que se pode encontrar esse tipo de som e pessoas interessadas. Recomendo.
O Cachorros Também Latem é uma banda linda de deus de brasila que tenta produzir algo para apreciadores desse gênero de ultra-minorias.
Ah, como eu me sinto sozinho curtindo esses sons.
To escrevendo minha dissertação sobre valoração econômica. Sobre como medir socialmente o que as pessoas querem ou preferem, que depende de como ordenamos as alternativas disponíveis em termos de preferências. Isso serviria pra tomarmos melhores escolhas sociais do que escolhas arbitrárias de burocratas ou políticos, pra se esclarecer com base em que tomamos decisões públicas. No método de valoração que estou estudando eu perguntaria diretamente às pessoas o quanto elas gostam ou não gostam de alguma proposta.
Ai chegou a hora que você tem que pensar as implicações de seu novo conhecimento e de seus pensamentos sobre a realidade, aquela velha coisa do tipo “como se aplica ao Brasil”. E comecei a refletir e escrever algumas primeiras impressões.
A economia usa o modelo de indivíduo racional, que é implicitamente um modelo de indivíduo americano, ou chamando generalizadamente de racional, autodeterminado, maximizador de utilidade. Entretanto, nem todo o mundo é maximizador de utilidade, ou pelo menos uma parte das pessoas seria pouco sensível “variações de bem-estar”, ou tem pouca vontade ou desejo de mudar sua condição, o status quo, monitorar suas escolhas, fazer auto-crítica.
Algumas estruturas de pensamento dependem da construção cultural, concepções de escolha, de liberdade, de desejo. Estas estruturas vão definir como as escolhas são feitas, e vão ter um efeito sobre a qualidade delas.
Os valores não influenciam só o que as pessoas vão perseguir, mas provavelmente também a maneira como vão perseguir seus desejos, o modo de análise, de crítica, projeções de futuro.
A constituição brasileira impõe um teto de juros de 12% a.a. (quem escreveu isso entende como funcionam juros?) Outras leis ineficientes são um retrato do projeto de “racionalidade”. Elas não são ruins só porque são fruto de um jogo político tosco, mas também são fruto de falta de técnica, de visão e também de estruturas de valoração subjetiva e resolução de problemas diferentes. E isso se reproduz e dissemina de cima pra baixo na pirâmide.
A visão paternalista do estado é um indicativo de que as pessoas preferem escolhas de curto prazo ou mesmo de não fazer escolhas, da falta de crença em posturas de decisão de grupo e de sociedade.
Algumas pessoas talvez nem considerem algo como problema. Considerar algo como problema exige esforço, criatividade, auto-confiança para criar soluções. A não-escolha não ocorreria devido a um valor que defenda a paz ou o ócio por si só, mas por falta de visão, entendimento e de confiança.
Não há problema que a valoração de algo seja zero (indiferença quanto a solução proposta). Mas esse resultado não pode ser então uma má opção de uso como guia para políticas públicas? (sendo que seria mais valorizado por pessoas com maior nível de instrução) Até onde essa diferença de estruturação de preferências não é em si a diferença entre desenvolvimento e subdesenvolvimento? Porque fazem “piores” escolhas, que se arrependeriam caso pudessem “ver o que ia acontecer” caso tivessem feito outra escolha.
O problema da educação é bem clichê, mas fica a questão de o que fazer para se chegar a melhorias. Quem quer educação? E se as pessoas não valorarem ou não conseguirem enxergar os efeitos de fato, não místicos da educação. Não apenas como uma garantia de emprego e melhoria de vida, mas de autodeterminação e de possibilidade criação de novas soluções.
Em um contexto de dominação, o que significar ter sua vontade aceita?
Em um pasto, é como o dono legitimar sua dominação sobre as vacas perguntando a elas se elas gostam de pastar.
O ser humano vem selecionando geneticamente várias coisas. Selecionando os mais fortes, os mais belos, os mais mansos. Cada um em sua “função social”. Mas essa seleção não implica vida ou morte, apenas distribuição de renda, de direitos. E os que não têm direitos ainda podem ser úteis vivos.
“O que vocês querem, meus amores?”
O que fazer com essa seleção já feita, dos que não foram desejáveis?
Eu desejo o fim das vacas, por que bichos tão dóceis me lembram de um sistema de manipulação para diminuir o desejo, de mortos-vivos. Só que comer vaca não vai fazer elas desaparecerem, não vai desmontar o sistema.
Elas não têm lugar em um mundo sem dominadores humanos. E se deixarem eu ser dominador, eu vou acabar sendo muito escroto. Por isso prefiro que não existam dominados que possam legitimar minhas atrocidades.
Levado pelo vento
12/11/2010
ele saiu em uma madrugada quente
saiu com os amigos para caminhar, para se despedir
foi até o parque, ao lago que tanto gostava
e de repente o calor foi levado por rajadas de vento
seria mais uma noite de tempestade
o vento trazia tufões de poeira
que se desenhavam ao subir rodeando os postes de luz
se lembrou do velho que empinava pipas,
que passava horas fazendo rabiscos no céu
dando voltas com as duas rabiolas coloridas
se deitou no chão e deixou cada um de seus músculos
barriga, pescoço, bochecha – ali
pôs seus óculos de caleidoscópio
e foi levado pelo vento
Esse não é o primeiro post sobre o uso desinformativo de índices econômicos. Resolvi aproveitar essa putaria que ta a disputa presidencial pra refletir sobre alguns dados disseminados, e até que achei interessante. O que é um índice minimamente significativo para uma avaliação de governo?
Primeiro, o tema do índice tem que ter a ver com o executivo. Temas como privatização, serviço público e outros me parecem ser mais de análise qualitativa do que quantitativa. Não é obvio e me parece precipitado se posicionar de maneira generalista sobre essas coisas complicadas, ainda que sejam essas as questões políticas ‘de verdade’. Vou me restringir agora aos índices quantitativos, que são tentativas de aproximação dos qualitativos.
Um índice que vá ser usado pra julgar um governo deve ter a ver com algo que ele possa influenciar, ser responsável, e muitas vezes as ações de um governo são de longo prazo, não dá pra analisar os dados 94-02 ou 03-09 e atribuí-los a um governo. Mas alguns dá. Por exemplo, vi que a parcela de gasto com educação em relação ao PIB aumentou um pouco nos úlitmos anos, bacana.
Agora, às afirmações econômicas. O que significa atribuir a um governo, à Regina Duarte, ou à crise do México as variações no PIB? *observação: o PIB está diretamente ligado outras variáveis, como à geração de empregos e outras (talvez a mais importante no contexto seja o nível de percepção popular da “qualidade” de um governo).
Resolvi ir atrás de uns dados pra ver como eu avaliaria esses dados econômicos. Escolhi pra começar o PIB per capta nacional. Mas ele sozinho não quer dizer muita coisa, tem que comparar com outros países. Achei conveniente comparar com os demais países da América Latina, que está sobre a área de influência fudida dos EUA, tem um contexto cultural parecido, de instituições e tudo mais. Não adiantaria comparar o Brasil com a África, Ásia ou Europa porque existem muitas coisas diferentes que fogem do controle de 1 governo.
Ai vem meu espanto, ou falta de espanto. O que eu vi que estava circulando eram comparações do tipo: PIB ou emprego nos anos FHC não cresceu, mas nos anos do Lula sim. Vamos ver se essa afirmação tem significado prático em uma comparação com os outros países da América Latina pra ver se isso pode ser atribuído a um governo ou se o cenário internacional tem um peso mais forte.
Usei um índice de variação acumulada da renda per capta de 1993 a 2009 (base 1). Olha no gráfico, no período de 1993 a 2003 a renda per capta na América Latina cresceu pouco. Teve crise no México, na Rússia, na Argentina – não foi hora de investirem nos países subdesenvolvidos. Depois de 2003 houve um crescimento maior generalizado, não foi só do Brasil. Olha como todo o resto entrou na onda. Nesses 16 anos que peguei, a renda per capta cresceu no acumulado uns 26% tanto no Brasil como no resto da América Latina – igual na média, variando no mesmo ritmo do bloco, independente do governo.
O povo confunde a relação entre situação econômica e governo. O governo seria pra fazer o que o mercado não faz, ou faz errado. Mas em épocas que o mercado vai bem é fácil vincular ambos. O mercado é muito “mistico” Se a situação está boa, é como se deus estivesse a favor, então reelegemos seu enviado. Eu to é espantado com a correlação entre deus e o humor de “mercados” internacionais.
Proposta
15/10/2010
Entre Sonhos
16/09/2010
Passeio mental
08/06/2010
Barbara Smuts viveu com babuínos por alguns meses seguidos – entre eles, como eles. Ela escreveu um relato, de alguém que “tentou” viver com animais e entende-los segundo o jeito deles.
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Eu não lembro direito o que eu esperava dela. Talvez algo como ver doendes, coisas derretendo. É bem mais difícil de imaginar (conceber) os efeitos quando nunca se passou a experiência. Não se tem noção do que pode ser até que se prove, não dá pra passar por relato. Mas vou tentar.
Foram 8 tentativas sem sentir nada significativo. Depois ficou muito interessante. É muito interessante sentir coisas muito diferentes com os “mesmos cenários de antes”. Ai fui descobrindo quais situações eu gostava mais, sensações que se repetiam, comecei a ter uma noção do que significava pra mim depois de um tempo pra ganhar “intimidade” – inclusive pra capturar melhor os efeitos.
Sempre me pareceu que sentia as coisas de uma maneira “infantil” – no melhor sentido da palavra – um sentimento gostoso de como se fosse a primeira vez. Sempre costumo ter lembranças de sentidos infantis pra coisas. Me sinto meio perdido, mas muito interessado em entender e contemplar coisas.
Diminui a nossa ‘habituação’ às coisas. as experiências ficam vivas como se nós não estivessemos acostumados, como se fosse a primeira vez. não pensamos em linguagem de ‘alto nivel’, simplificada e objetiva, mas complexa, sincera, de “baixo nível”. É cansativo, mas é mais completo.
A maconha zera diminui o tédio, a monotonia, das coisas belas ndo mundo que são escondidas pela normalidade, pelo cotidiano.Você dá menos atenção à memória, as coisas voltam a serem novas, juvenís, pulsantes.A contemplação é mais intensa, é presente, é profunda, focada.
Eu acabo gostando mais das coisas, no geral. Acho elas mais interessantes. Acho que realmente consigo tanto ver de uma perspectiva diferente, quanto por algum motivo, ficar mais intenso no jeito que vejo ou penso em algo – isso faz com que eu tenha mais paciência pra contemplação, o que é ótimo. Fico mais envolvido com as coisas, mais emocionável.
Faz você ganhar significados, que é inevitável quando se tem novas sensações, conexões. Elas não são irreais, elas são diferentes. Tem gente que chama isso de ganhos espirituais. É, de certa maneira acho que é uma ferramenta válida. Ver as coisas de outro angulo, de outro possível você (“doidão”), é muito enriquecedor. Você consegue entender várias coisas, pois agora sente diferente, pensa diferente. E lembra qual seria sua decisão anterior, sabe de onde vem a diferença, entende algo a mais. É muito divertido.
Eu dou mais valor para a calma. Para a tranquilidade, para a lendidão da apreciação.É um momento também potencialmente pesado. o que é pesado? porque a gnt tb gosta disso. é hora de sentir, com força, de pensar. É um momento que a disciplina e a força de vontade podem ajudar.
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Fumei um. Maconha me dá inspiração. Uma capacidade de ser pró-ativo, criativo em seus pensamentos e sensibilidades. Saber manejar a mente, para fazer ela perceber coisas interessantes. A mente se interessa, é muito bom, você fica satisfeito, empolgado, feliz. Ela gosta de companhia, de conversar. As vezes ela fica esquecida, só trabalhando, sem atenção ‘interna’. Meditar é dar atenção a ela. Talvez ela não queira falar, mas com habilidade é possivel entender o que faz ela ter prazer.
Uma noite me propus a me sentir um monge. Andando devagar. Tendo uma calma real em todos seus movimentos. Fazendo eles lentos por considerar que se aprecia mais a vida por fazer isso, e não simplesmente para tentar considerar melhor a vida. É um interesse pró-ativo meditar. Eu estava com uma mentalidade “é claro que vou meditar, já me sinto um monge, vou conseguir entrar em qualquer lugar da minha mente. Levei ela para passear, para sentir alguns sentidos, sentidos das coisas, dos significados, das experiências, de estar ai.
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Rápidas Observações Bancárias
07/04/2010
- João: Por que os bancos dominam o mundo?
-Maria: Porque você dá todo o seu dinheiro pra eles investirem onde eles quiserem, e não onde você preferiria. Não existe nenhuma exigência, preocupação ou cuidado de sua parte. Você está emprestando seu poder ao banco, sempre que você tiver qualquer coisa no banco. Emprestar dinheiro viabiliza projetos, mudanças, qualquer que seja, de preferência com lucro para poder pagá-lo de volta.
-João: Po… então é até melhor eu aplicar em ações de uma vez?
-Maria: Talvez… Dependendo delas…
Se você não gosta de ouvir falar de funcionalismo publico ou energia negativa, nem leia. Não é nada pessoal, não quero entrar em conflito por ‘bobagem’. Então se ler, não me venha encher o saco, nem se sinta mal por um comentário desses. Já me sinto mal pensando nesse assunto, e falo sobre ele sem esperança de trazer nada de bom e sem saber porque me sujeito a auto-degradação do meu estado de ‘de-boisse’.
Achei em uns artigos ai – só não achei gráficos didáticos, mas ta valendo:
Em 2002, o sistema de aposentadoria dos funcionários públicos (RPPS), com 2,6 milhões de beneficiários, geraram um déficit correspondente a 4,2% do PIB. A média das aposentadorias (atualizadas com base na remuneração dos ativos) foi de R$ 2.800,00. Os RPPS têm 3,7 milhões de contribuintes.
No sistema do INSS pro ‘resto’ da ‘sociedade’ (RGPS), com 21,1 milhões de beneficiários, gerou um déficit correspondente a 1,3% do PIB. A média das aposentadorias foi de R$ 389,14, sendo que 17 milhões desse total ganham o referente ao salário mínimo. O RGPS tem hoje 26,7 milhões de contribuintes.
Em um outro artigo de outro ano – mais acadêmico (“Imprevidência Pública”, do José Carvalho- FGV) – “o INSS incorre num déficit de cerca de 1,2% do PIB para distribuir 6,7% do PIB em benefícios a cerca de 19 milhões de brasileiros. Somente o setor público federal, que é relativamente a parcela mais significativa do setor, para atender a cerca de 880 mil aposentados e pensionistas incorre numa despesa de 2,6% do PIB, recebendo de contribuição de todos seus servidores cerca de 0,3% do PIB”. Fico feliz em ver que esse autor também se refere a isso no resto do texto com a palavra ‘privilégio’, e parece também indignado com tudo isso.
Parece que não faz muito tempo que juntaram o sistema público ao INSS. Me parece que assim fica mais difícil de ver onde está o rombo (a putaria) de verdade, pois agora está tudo agregado no INSS (antes não era). Agora, a “responsabilidade” é de todos – o prejuízo sempre foi.
Isso acontece no sistema institucionalizado de aposentadorias, não é o livre mercado malvado. É ‘direito adquirido’, oras.
A previsão é que, pro ano que vem, o déficit da previdência aumente 12% em relação ao ano passado. Só pra lembrar, déficit, quer dizer que ta tendo que se tirar dinheiro de algum outro lugar (será que não existe algo mais importante?) pra ‘aplicar’ onde está havendo o déficit.
Eu sei que não é todo funcionário público que ta na tal da lei 8112. Eu sei que professor é funcionário público e se fode . Nem todo mundo se dá bem e tem gente que trabalha direito. Eu acharia ótimo fazer coisas boas sendo funcionário público, e acho que todos deveriam fazer coisas boas, independente de onde se trabalhar. Não to falando mal do trabalho de funcionário público, mas do resultado de um corporativismo maldoso e irresponsável, auto-sustentável. O problema não é excluir todo o resto dos trabalhadores, não tem dinheiro pra isso, mas é se incluir dentro de um reino encantado, as custas de todos.
Mas meu ponto aqui agora é: Ta errado, tem que mudar. Como isso vai mudar? Quem quer que isso mude?
Queria ver uma passeata pra mudar isso. Em Brasília? Não, em Brasília acho que não vai dar.
Por que? O lema/diretriz da cultura local é “Salve-se quem puder!”. Ou “me dá logo minha parte, pelo menos eu faço bom uso dela”.
Fico impressionado com a maneira que as coisas são acobertadas toscamente. E o pior é que funciona. Ai saio por ai escrevendo textos enquanto sinto um estranho calor.
Calçadas e olhares
28/12/2009
Resolvi colocar uma citação que achei legal, de um livro clássico do urbanismo, que encontrei no meio de outro livro bem bacana chamado “Emergência”, de um tal de Steven Johnson. Recomendo, trata de níveis de organização, auto-organização bottom-up, comportamento emergente – por isso do nome do livro.
“Sobre a aparente desordem da velha cidade, sempre que a cidade funciona bem, há uma ordem maravilhosa que mantém a segurança das ruas e a liberdade da cidade. É uma ordem complexa. Sua essência é a intimidade da calçada, trazendo consigo uma constante sucessão de olhos. Essa ordem é totalmente composta de movimento e mudança… O balé da calçada da boa cidade nunca se repete, e em qualquer lugar está sempre repleto de novas improvisações” – Jane Jacobs em “The death and life of great american cities”
A Estética e o Esoterismo
01/12/2009
Tudo começou =P quando eu tava tendo uma daquelas conversas sobre porque não to comendo carne, repensando e rejustificando a minha postura.
Parece que no final elas caem em argumentos mais do tipo, “isso é o certo”, ou algo mais emotivo como “não precisa justificar, sinto que é assim”. Claro que existem muitos outros motivos, esotéricos, saudáveis, anti-industriais, blabla, mas comecei a tentar fazer uma justificativa mais abrangente pra outras posturas também “estranhas”. Vou falar sobre uma possibilidade de postura e dar um nome talvez inusitado pra isso, talvez não.
Temos capacidades sensoriais, cognitivas, técnicas, impressionantes. Somos poderosos. Porque não usarmos elas ao máximo?
O puro individualismo me parece ser algo muito simples, linear. Pensar em outros níveis, em outras mentes, outros agregados, outros níveis, exige muito mais, exige algum esforço, alguma reflexão. Fazer as coisas funcionarem em um nível de organização maior, não só individual. No final, é opcional adicional, é um requinte. Vou chamar isso de elegância, não se referindo a status ou ostentação, mas a uma certa estética adicional opcional para as idéias.
Usar nossas capacidades plenamente, fazer o que não é fácil. Fazer o que eu acho melhor, só por que posso, só pela aventura, pela brincadeira. Afinal de contas, fazer coisas “bem” não é fácil, mas também não precisa ser um fardo, pode ser uma brincadeira, e a gente brinca quando pode.
Qualquer manifestação de preocupação por “buscar o melhor”, no sentido “do que mais satisfaça meus desejos/princípios etc. Há um esforço, que pode não ser penoso, mas até prazeroso, pois vai gerar algo “melhor”.
Temos uma capacidade impressionante de fazer “melhor” do que se não nos esforçarmos para entender as coisas de maneira mais “completa”. Dar importância e projetar coisas dessa maneira é uma questão de elegância.
A elegância pode ser diferente em cada lugar, cada cultura. Mas fica como uma “estética de idéias”, algum padrão, alguma consciência, talvez mais, refletida, sentida. Não há estética se há descaso – no sentido de se ignorar.
Algo que se sabe que forma algo mais macro, não somente individual – uma “harmonia”
Cumprimentar, fazer fila, não comer bicho, esses tipos de cuidados, são opcionais. Opções elegantes. São, no máximo, elegantes, que é um pouco melhor do que o descaso.
É algo a se produzir – não implica perder a vida ou a vivacidade, é ganhar uma esfera, uma consciência. Incrível essa tal de estética.
o Céu, o Chão
16/11/2009
Esses pensamentos sobre linguagem e inteligência me fizeram ir atrás de teorias sobre cognição animal, sua relação com a “consciência”. Esse salto entre animal e humano não funciona. Logo, tive a idéia de buscar termos relacionados interessantes na wikipédia. Me dei de cara com uma quantidade enorme de informação e teorias, o que até desarticulou um pouco minhas idéias, então esse será um post broxado. Já tá tudo pensado nesse mundo. Tem tanta gente pensando sobre isso, e eu nunca estudei nada disso na aula de ciências! Ainda assim vou expor de maneira desnecessária o que penso – se não, não tem graça – descarga abaixo.
Partindo do papo de organização de significados, como essa organização evolui? Memória, passado, valores, significados. Uma hora começamos a ter acesso ao futuro, à abstração, às projeções. Os humanos desenvolveram muito o “sentido do futuro” (ainda que talvez muito limitado). Dominaram o futuro, se apropriaram dele. Mas outros animais também têm acesso a ele, a escolhas futuras, tem a noção de capital e investimento (de uma maneira ampla). Um pássaro constrói um ninho, faz estoques. Já viajamos para o futuro (os futuros) – sem os problemas de paradoxos =) Conforme vamos separando melhor causas e efeitos, a noção das possibilidades, vamos desbravando o futuro.
O próximo passo em complexidade é produzir cenários, não só interpretá-los. Quanto mais complexos e variados os cenários, mais acesso ao futuro. Ai que parece que começa um conceito de inteligência que vai além do que abrange simplesmente ‘resolver problemas’. Quanto melhor construímos cenários, com relações mais precisas entre variáveis, mais consciência temos do todo, e vice-versa.
Autoconsciência
Eu tava pensando na autoconsciência como um estado de confusão, resultado de um grande cruzamento de informação que tenta ser interpretada, a “consciência” do poder de escolha, ou da ‘margem de erro’ que gera a ilusão das possibilidades. Como somos imprecisos para entender e prever coisas, chamamos os ‘erros esperados’ de interpretação de ‘possibilidade’, ou por que não, de escolha. Uma vez que percebemos essas possibilidades, percebemos a “responsabilidade da existência”. Mas não entendemos direito, não sabemos o que queremos. Temos que perguntar.
A consciência da possibilidade, de que algo ‘melhor’, desejável, é possível – e me parece que isso requer que seja melhor no futuro. Também requer uma idéia de sujeito para o “melhor para que, ou para quem”. O sujeito talvez possa ser um formigueiro, um corpo, uma ‘mente’, um universo.
A autoconsciência como um conjunto de perguntas que conseguimos fazer sobre nós mesmos, questionamentos sobre o ‘desejável’ – onde mora a confusão. Para isso temos que ter a capacidade de abstrair cenários para balizar escolhas. O vislumbre das possibilidades futuras muitos animais têm. O problema é sentir “a melhor” possibilidade futura para um. É defini-la. É no máximo uma direção imprecisa. Bactérias e vegetais são precisos demais no que fazem.
Todos criam respostas ao ambiente, a problemas. Mas por algum motivo damos valor para os que criam perguntas. “O que eu quero?” – o ser humano está muito confuso. Parece que se questionar sobre si mesmo é um artifício pra depois de respostas frustrantes: Eu quero picolé de uva ou maracujá? Hum… não sei, vou pensar um pouco sobre as bases de quem eu sou pra ver se descubro uma resposta mais satisfatória para essa minha grande dúvida, pra essa minha indiferença.
Criatividade e Inteligência
Eu vi que tem gente que considera que inteligência e criatividade são duas coisas distintas. Depende do conceito de inteligência. Acho que muitos animais são inteligentes, só não são tão criativos quanto os humanos podem ser pra abstrair tantas possibilidades, ou não. Criatividade para testar diferentes agrupamentos de variáveis e significados.
Vi algumas definições possíveis de inteligência. Umas colocam como capacidade de resolver problemas, e além, potencial para achar e abstrair problemas, para então poder adquirir mais conhecimento. Adquirir conhecimento – memória de resoluções de problemas, de processos, caminhos mentais.
Inteligência poderia ser dita simplesmente como um grande processo cognitivo. Mas a grande questão é ‘criar inteligência’, adaptação, não só ter inteligência pra interpretar e resolver problemas restritos (isso vem sendo medido com coisas tipo vestibular). Tem que ser capaz de melhorar métodos cognitivos por si só, criar e perceber novas possibilidades.
Talvez ‘instinto’ seja às vezes atribuído a respostas muito rígidas de cenários. A inteligência seria a adaptação a diferentes cenários – vários animais conseguem. A “qualidade” superior está em formular perguntas, e não respostas, e pra isso é preciso criatividade. A gente é bom em direcionar um random e sentir as respostas.
A criatividade seria então requisito para a autoconsciência. Tem que criar perguntas sobre sí mesmo, sobre “o desejável”, tem que se perguntar sempre novas perguntas conforme o ambiente muda. Introspecção pode ser uma técnica, mas não é ensinado na escola. Isso teria de ser melhor agregado à cultura e à educação.
Interessante que, como abstrair para perceber as coisas envolve esforço, parece que ainda poderia sobrar espaço para uma liberdade de se buscar perceber melhor as coisas, ou não. A liberdade – em outro sentido – estaria em perceber que o melhor possível foi feito, que o resto é esforço em vão. Resta apenas apreciar. No acaso, é livre. A busca pelo poder, pela técnica, nos faz querer reduzir a aleatoriedade. Mas a partir de um nível, voltamos. Quanto mais conscientes, mais aceitamos o aleatório.
Noite
31/10/2009
Silêncio
Escuro
o vento tava ficando mais forte
os grilos fazem um barulhinho bucólico
e junto, o barulho das árvores ia ficando mais forte
via uns clarões com os olhos fechados
o vento inclinava minhas costas quando vinha mais forte
o barulho das folhas preenchia o ambiente
tão caindo umas gotas espaçadas em mim
outro clarão
comecei a sentir minha cabeça mais alta, eu pequeno, de longe, em todo lugar, em meditação
a chuva aperta
que bom
vou escrever sobre isso
o barulho da chuva toma conta do ambiente
que pena que vou esquecer tudo
Experiência, Intuição, Linguagem
22/10/2009
Eu não sei porque eu exponho esse tipo de pensamento megalomaníaco..
Padrões e Comparações
Os sentidos são os filtros de informações, dados a priori. Inicialmente são sobre informações químicas e físicas, ondas e matéria. Os sentidos parecem ser viesados pela percepção inicial de um “eu”, que me parece ser delimitado inicialmente pela dor (tato, fome), um sentido interno. Acho que isso não importa tanto agora.
O que fazemos com essas categorias de informação? Fazemos uso delas (não me pergunte pra que ou porque). Para ter algum uso, as informações devem ser separadas, clarificadas. Depois conectadas entre si. A natureza dá a primeira sugestão de categorização, dado pela própria diferença entre os sentidos.
Somos maquininhas de detectar padrões. Somos sensíveis a frequências, ao uso da estatística, da memória. Tem coisas “que ficam”. Acho que aí começam as teias. Nós temos múltiplas sensibilizações simultâneas que ao longo do tempo devem formar padrões mais complexos de sensibilização conforme vamos ficando mais ‘sensibilizáveis’, desenvolvemos melhor nossa memória (sensibilização de longo prazo?).
Mas como definir um padrão? Como isolá-lo do resto das informações que formam outros possíveis padrões? Psicodélico. Acho que o padrão é aquilo que ‘salta’, que deixa marca na memória. A princípio não me parece ser voluntário, talvez seja algo bem químico mesmo, apertar os mesmos botões várias vezes deixa eles mais sensíveis, inclusive entre eles. Será que é só questão de estar suficientemente sensibilizado para que se possa identificar e definir algo?
Provavelmente há uma hora que passamos a aplicar a noção de verdadeiro e falso, ou seja, temos capacidade de analisar se um novo conjunto de informações corresponde ou não a outros padrões relacionados memorizados. A consciência (!) de algum padrão definido que será usado para podemos comparar, e porque não, julgar.
Criamos “ícones” para determinadas ‘frequências’ mais comuns e utilizadas que nos permitem identificar com alguma precisão relações de verdadeiro/falso. Isso implica construir ícones para relações entre variáveis. Vou chamar de ‘variável’ uma característica percebida como básica ou primeira que define ou determina um padrão.
As relações das ligações entre diferentes tipos de sensibilizações são o princípio do que vou chamar de significado. A identificação (definição) e relações “possivelmente verdadeiras” entre padrões seria um princípio da teia de significados.
Padrão é uma noção por definição imprecisa, confiamos na estatística. Enquanto não estamos “suficientemente” sensibilizados com algum padrão a ponto de fazer ligações ‘confiáveis’ para serem usadas, o que sobra? Intuição? Ela não é usada no fim das contas? Independente da coerência. Há algum sentido além da forma, é o que escapa, mas está lá.
Os ícones e seus significados (ligações possivelmente úteis) são uma forma mais prática de fazer saltar essas inter-relações, de até onde elas são “verdadeiras ou falsas”. Os ícones são o acesso ao resultado presente do processo de destilação de variáveis e suas relações.
As atribuições de cada ícone são flexíveis, depende da relação com outros ícones e da experiência própria. Também existem padrões não identificados por nenhum ícone, porém eles não deixam de ser possibilidades de significados. Pode demorar pra que um significado seja considerado “verdadeiro”, e nem por isso deixamos de considerar para nossas decisões o que relações “não verdadeiras” podem dizer, intuições.
Aprendizagem
O processo de aprendizagem é um processo que envolve destilar as definições das variáveis com base nas ligações e relações entre elas na teia. A noção de verdadeiro e falso, repetidamente, constrói isso. Aprender é comparar o conteúdo experimentado ou decorado com sua teia privada de significados. É resignificar a teia. Decorar é absorver uma relação pontual, específica de causalidade. Aprender é relacionar com o resto, é ir além do que é dito, é ouvir o eco interior.
Aprender é pensar sobre relações. É sentir relações. Será que pensar não é só um termo para sentir algo muito complexo e impreciso, que depende de uma estrutura, da teia? O pensamento como falante e ouvinte ao mesmo tempo. É mais fácil ficar em silêncio para pensar, pra sentir o que temos a dizer. A gente estimula os ecos, as memórias, as relações, os sentimentos, e ao mesmo tempo os compara, resignifica tudo. Aprender é uma atividade criativa, é tentativa e erro, é resultado da indagação. O que a gente escolhe é o modo de organização dos ícones, as relações que podemos aceitar como verdadeiras ou não. Será que escolhe?
O que é uma idéia? Pode ser a percepção de um novo arranjo de significados, a descoberta de possíveis novas relações entre variáveis.
Compartilhando
Enquanto não aprendemos a técnica de compartilhar pensamentos, não fazemos uso de ícones construídos socialmente (palavras). O grande salto acontece quando passamos a ter acesso a outras mentes, a outras experiências e impressões, à construção social dos significados.
A linguagem pública é uma ferramenta útil para compartilhar e esclarecer possibilidades de definições e inter-relações de variáveis. Na parte estatística, é também como se tivéssemos acesso às médias, uma bela base de comparação pras nossas próprias impressões sobre nossas experiências e das dos outros. Significados públicos são consensos sobre as relações entre variáveis, definições de variáveis segundo suas relações.
Significados dados publicamente dão maior clareza e objetividade para compartilhar experiências. É uma técnica de pensamento, eficiente, pensar em variáveis socialmente definidas. “Sair” da incerteza dos nossos conceitos privados, do isolamento. Uma criança que não fala está isolada de outras mentes.
Isso não quer dizer que não produzimos significado independentemente da linguagem pública , eles só seriam mais imprecisos, particulares. Inexplicáveis, assim como vários sentimentos são, porque as pessoas não são tão boas para trocar sentimentos, que dependem tanto de experiências muitas vezes tão particulares. Que bobagem achar que não há nada válido pelo simples fato de não conseguirmos compartilhar.
O consenso sobre significado permite a sintonia de pensamentos, conexão. Nós os usamos porque são mais precisos, são significados aceitos socialmente, são construções de variáveis com base nas experiências de várias pessoas, não só de uma mente isolada. A linguagem pública é o que há de consenso sobre significados particulares.
Uma experiência pode fazer com que um uso social seja considerado “falso”, não seja absorvido. Não cria sentido (interno). Absorvemos só o que nos interessa. Usamos só do jeito que nos faz sentido interno.
Em um nível mais complexo de pensamento, que envolve muitas inter-relações, usamos ícones, é uma técnica, como uma máquina. Mas todo instrumento, em algum ponto, foi construído por mãos, imprecisas. Acho que a linguagem é uma técnica avançada. Tem pensamentos complexos que só conseguimos alcançar com linguagem. Mas eles foram em algum momento construídos sobre sentidos, intuições, pensamentos em formação.
Histórico de Tentativas Frustradas
13/10/2009
Na 2° série, com uns 8 anos, eu comecei a ter aula de inglês na escola. Eu não entendia porra nenhuma e não via utilidade nenhuma naquilo. He, she, stand up, sit down. Eu ficava pensando, “quem é quem nesse Ri e Xi? Porque eu tenho que levantar e sentar quando aquela mulher balbucia umas palavras incompreensíveis? O que eu tenho a ver com essa pronuncia exótica de ‘pink’?”
Resolvi fazer um abaixo assinado pra tirarem a professora e a aula de inglês. E fiz mesmo, fiquei catando assinaturas de várias salas durante um tempo. Quando tava terminando, chegou a coordenadora na aula de inglês e falou que as coisas iam continuar daquele jeito mesmo. E eu continuei sem entender nada das aulas de inglês e completamente desinteressado até ter que usar ele de verdade quando viajei pra Austrália.
- O que eu aprendi: É melhor primeiro conversar, negociar, pra ver até onde “se pode ir”.
Na 7° série me arrisquei a ser representante de turma. Pensei e apresentei um monte de propostas revolucionárias, e, por incrível que pareça, fui eleito, junto com um amiguinho mais popular, hehe. Queria fazer uns questionários pros alunos avaliarem as aulas, tipo esses que tem na unb no final dos semestres. No final não pude fazer nada, nunca me chamaram pra nada e fiquei com vergonha de ter que continuar sendo representante.
- O que aprendi: Não pode. Tem que ser aprovado pela coordenação, avaliações autônomas extra-oficiais não são consideradas. Seria ruim para a imagem dos professores.
Quando eu tinha uns 12 anos eu era escoteiro (mais precisamente um lobinho experiênte =P). Entrou uma mãe de umas meninas como assistente da “chefe”, que depois de um tempo começou a fazer um tratamento desigual entre quem ela gostava (inclusive suas filhas) e quem era dos outros grupos (inclusive eu). Fiz uma “caixinha de sugestões e reclamações” pra juntar as idéias e ver o que o pessoal tava achando e apresentar pra chefe. Pra ser sincero não lembro como o plano foi desarticulado, lembro que deu um quebra pau e teve um pessoal (inclusive eu) que saiu do escoteiro.
- O que aprendi: Poucas pessoas conseguem avacalhar uma coisa potencialmente legal; As estruturas podem ser muito mais fortes do que vontades de muitas pessoas, e elas cedem a isso.
Depois de tretas menores e desarticulação social de vir pra Brasília, resolvi entrar na Econsult (empresa júnior da economia) quando era calouro. Me botaram inicialmente no RH. Legal, um monte de gente bem intencionada pra cuidar de uma empresa que não tem projetos. Depois fui pra área de projetos. Não tinha projeto, então fui fazer a “metodologia” das análises. Hoje acho que só me sentiria capaz de fazer alguma realmente massa pela empresa júnior depois de formado, ou nos últimos semestres. Tem que ter uma visão mais ampla.
- O que aprendi: Não tem nada pra fazer? Cria burocracia pra manter um sistema “funcionando”. Pelo menos o pessoal do RH e do cafezinho vãi fazer alguma coisa, o resto fica de fachada. Pra alguma coisa funcionar ela tem que ter objetivos claros e funcionais, não basta criar uma estrutura e esperar que ela se desenvolva por conta própria.PS.: Pelo menos da pra conhecer pessoas nesses lugares =)
Minhas experiência de estágios no governo foram no Ibama e no Ipea
- O que aprendi: O serviço público é igual eu imaginava. Qualquer um se sente desestimulado, ele é cultivado pra isso, pra impedir que pessoas criem algo melhor e façam bom uso do governo, assim todo mundo pode ‘desfrutar’. Pra quem taí, ia ser legal se conseguisse fazer alguma coisa melhorar de dentro. Se não der, acredite que pode existir algo melhor pra se ganhar menos dinheiro – fora da aristocracia.
Talvez por tudo isso hoje em dia eu tenda mais pra ser um reformista do que um revolucionário. Organizar pessoas é uma tarefa muito difícil e desgastante. É mais fácil pagar mercenários.






