Esse não é o primeiro post sobre o uso desinformativo de índices econômicos. Resolvi aproveitar essa putaria que ta a disputa presidencial pra refletir sobre alguns dados disseminados, e até que achei interessante. O que é um índice minimamente significativo para uma avaliação de governo?

Primeiro, o tema do índice tem que ter a ver com o executivo. Temas como privatização, serviço público e outros me parecem ser mais de análise qualitativa do que quantitativa. Não é obvio e me parece precipitado se posicionar de maneira generalista sobre essas coisas complicadas, ainda que sejam essas as questões políticas ‘de verdade’. Vou me restringir agora aos índices quantitativos, que são tentativas de aproximação dos qualitativos.

Um índice que vá ser usado pra julgar um governo deve ter a ver com algo que ele possa influenciar, ser responsável, e muitas vezes as ações de um governo são de longo prazo, não dá pra analisar os dados 94-02 ou 03-09 e atribuí-los a um governo. Mas alguns dá. Por exemplo, vi que a parcela de gasto com educação em relação ao PIB aumentou um pouco nos úlitmos anos, bacana.

Agora, às afirmações econômicas. O que significa atribuir a um governo, à Regina Duarte, ou à crise do México as variações no PIB? *observação: o PIB está diretamente ligado outras variáveis, como à geração de empregos e outras (talvez a mais importante no contexto seja o nível de percepção popular da “qualidade” de um governo).

Resolvi ir atrás de uns dados pra ver como eu avaliaria esses dados econômicos. Escolhi pra começar o PIB per capta nacional. Mas ele sozinho não quer dizer muita coisa, tem que comparar com outros países. Achei conveniente comparar com os demais países da América Latina, que está sobre a área de influência  fudida dos EUA, tem um contexto cultural parecido, de instituições e tudo mais. Não adiantaria comparar o Brasil com a África, Ásia ou Europa porque existem muitas coisas diferentes que fogem do controle de 1 governo.

Ai vem meu espanto, ou falta de espanto. O que eu vi que estava circulando eram comparações do tipo: PIB ou emprego nos anos FHC não cresceu, mas nos anos do Lula sim. Vamos ver se essa afirmação tem significado prático em uma comparação com os outros países da América Latina pra ver se isso pode ser atribuído a um governo ou se o cenário internacional tem um peso mais forte.

Usei um índice de variação acumulada da renda per capta de 1993 a 2009 (base 1). Olha no gráfico, no período de 1993 a 2003 a renda per capta na América Latina cresceu pouco. Teve crise no México, na Rússia, na Argentina – não foi hora de investirem nos países subdesenvolvidos. Depois de 2003 houve um crescimento maior generalizado, não foi só do Brasil. Olha como todo o resto entrou na onda. Nesses 16 anos que peguei, a renda per capta cresceu no acumulado uns 26% tanto no Brasil como no resto da América Latina – igual na média, variando no mesmo ritmo do bloco, independente do governo.

O povo confunde a relação entre situação econômica e governo. O governo seria pra fazer o que o mercado não faz, ou faz errado. Mas em épocas que o mercado vai bem é fácil vincular ambos. O mercado é muito “mistico” Se a situação está boa,  é como se deus estivesse a favor, então reelegemos seu enviado. Eu to é espantado com a correlação entre deus e o humor de “mercados” internacionais.

Proposta

15/10/2010

Isso não é pra ser um jogo!

É pra ser uma aventura!

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